“Não há idade precisa, tudo dependendo inteiramente do desenvolvimento físico e, ainda mais, do desenvolvimento moral. Há crianças de 12 anos a quem tal coisa afetará menos do que a algumas pessoas já feitas…” O Livro dos Médiuns – Cap. XVIII
Dos inconvenientes e perigos da mediunidade
“Derramarei do meu Espírito sobre toda criatura humana. Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os jovens terão visões e os velhos terão sonhos.”
Atos dos Apóstolos, cap. 2 – Vers.17 - Profeta Joel, cap. 2 – Vers.17
Não há dúvida de que a predição bíblica do profeta Joel, acima descrita, refere-se às manifestações mediúnicas e já alertava para o momento em que esses fenômenos seriam bastante evidentes, principalmente entre os jovens e as crianças.
Ora, sendo a mediunidade um atributo natural, não se justifica haver tanta estranheza quando o Espírito, durante sua infância física, a apresenta de modo claro e inequívoco.
Durante os primeiros anos de sua nova encarnação, as ligações entre o Espírito e o corpo físico são mais flexíveis. Isso permite um maior entrosamento entre o indivíduo encarnado e aqueles que se encontram na erraticidade.
A falta de esclarecimentos leva muita gente a atribuir as faculdades mediúnicas que se manifestam na infância a fantasias decorrentes da idade e as ignora. Ou, o que é pior, ridiculariza e reprime a criança, provocando conflitos interiores que podem lhe trazer, no futuro, prejuízos psíquicos e morais.
Se levarmos em conta as palavras de Jesus, chegaremos à conclusão de que toda criança que manifeste sinais de mediunidade deve ser levada muito a sério. Por que o Mestre faria tal citação, se não houvesse relevantes razões para este processo?
Todo médium, independentemente da idade de seu corpo físico, deve ser orientado e estimulado a buscar esclarecimentos, a fim de conhecer a utilidade das faculdades que lhe foram atribuídas pela espiritualidade. Mas, quando se trata de uma criança, essa necessidade é ainda maior, porque a criança não dispõe de vontade própria, não é dona de suas ações. Cabe ao adulto, a quem ela foi confiada, encaminhá-la e oferecer-lhe toda a segurança necessária para a sua devida preparação.
A participação de crianças e adolescentes médiuns, durante as comunicações espirituais que permitiram a elaboração das obras da codificação espírita, foi de suma importância. Por que agora seria diferente? O que leva um adulto a duvidar de uma criança que afirme estar ouvindo vozes, vendo Espíritos, ou até mesmo sendo importunada por “amiguinhos invisíveis”? Incredulidade? Comodidade? Ou algo bem mais grave, como estar se submetendo à influência de obsessores que têm por objetivo atrapalhar o cumprimento da tarefa assumida por aquele indivíduo?
O PEQUENO MÉDIUM
No novo romance de Roberto de Carvalho, inspirado pelo Espírito Basílio, intitulado O Pequeno Médium (Editora Aliança), as faculdades mediúnicas de um menino de 12 anos são o foco central da trama, mostrando quão útil pode ser o médium quando bem orientado e devidamente auxiliado para a consecução de suas tarefas. Mostra a responsabilidade dos adultos nessa empreitada, deixando claro que, quando cada um cumpre o seu papel e, com o auxílio indispensável do Alto, não há obra que não possa ser realizada. Vivendo com a avó, num vilarejo de lavradores, Davi é um menino com brilhantes faculdades mediúnicas. A convivência com Espíritos faz parte da sua rotina e só o deixa assustado quando o padre lhe diz que tais visões são artimanhas do demônio. Auxiliado por um Espírito amigo e por pessoas comprometidas com o espiritismo, Davi é orientado sobre os objetivos de sua mediunidade e, por meio de comunicações recebidas, consegue evitar que uma grande injustiça seja cometida, envolvendo vários moradores do vilarejo num processo de graves dívidas morais. Conforme nos alertou Jesus: “Nos últimos tempos, espalharei meu espírito sobre toda a carne; vossos filhos e filhas profetizarão; vossos jovens terão visões, e vossos velhos terão sonhos”. (Atos, capítulo 2, versículo 17 e 18). Quando pensamos em mediunidade logo nos vem á cabeça a de prova, aquela de compromisso de tarefa espiritual, esquecemos que ela é um atributo natural e fisiológico nosso.
A mediunidade nos primeiros anos de vida sempre foi mais evidente, e a explicação é simples, as ligações entre o corpo físico e o espiritual são bem mais flexíveis permitindo que a criança veja e converse com desencarnados ou mesmo elementais que estão ali, mas que os adultos não são capazes de perceber. Pessoas desavisadas atribuem isso à imaginação fértil e, logo passam a ignorá-las e até a criticá-las; deixam a criança falando sozinha e, essa atitude pode trazer uma série de problemas psicológicos em breve futuro. O correto é indagar estimulando-as a reportarem seus diálogos quando ocorrem e a pedir-lhes que descrevam o que estão vendo e, a dar-lhe crédito; lógico que o senso crítico de cada um define até onde isso pode levar e a buscar ajuda adequada quando se faça necessário. Um problema da mediunidade, no caso a vidência infantil, é o terror noturno em virtude das formas-pensamento geradas pelos adultos da casa. Expliquemos: nossos pensamentos repetitivos coagulam-se formando telas (ideoplastias), a maior parte de nós tem pouco ou nenhum cuidado em vigiar os pensamentos como nos recomendou Jesus, e daí, os filminhos onde somos os diretores, roteiristas e protagonistas, e que as crianças são obrigadas a assistirem á noite, as deixam apavoradas. Se nossos filhos estão com medo de dormir, opa, é hora de rever com muito cuidado e carinho, como anda nossa reforma íntima. Outro fato comum é a facilidade com que muitas crianças acessam os arquivos de vidas passadas; nesse caso também é preciso que se dê atenção e que o senso crítico defina a conduta posterior. Normalmente essas são fases curtas, e o adulto deve aproveitá-las para aprender, pois á medida que os interesses da criança vão se materializando mais essa mediunidade tende a desaparecer (exceto quando é tarefa combinada antes do nascimento). Na colocação de Jesus sobre os “sonhos dos velhos”, a explicação é muito parecida com o que ocorre na infância, a ligação entre o corpo físico e o perispírito fica bem mais flexível permitindo que o idoso ou o doente grave apresente manifestação mediúnica (raramente eles incorporam – pois seus mentores não permitem, apenas relatam, conversam, transmitem recados, misturam fatos de vidas passadas com a atual). Quem tiver a oportunidade de vivenciar experiências desse tipo deve aproveitá-las ao máximo para aprender e até para reciclar seus projetos de vida. Recomendo, vale a pena.
Será que a mediunidade explícita na infância está mesmo aumentando?
Os tempos já são chegados? Os sinais precursores já estão ocorrendo?
É inegável que sim. E o melhor exemplo é o nascimento em larga escala das crianças índigo e cristais. Principalmente no que tange á mediunidade, as cristais, o são de forma ostensiva. Mas, nada das mediunidades de prova, de tarefa, elas não incorporam nem psicografam, apenas usam seus abundantes recursos espirituais naturais. Pode ser que outros tipos as sucedam para provocar mudanças significativas na vida do homem: para induzir a um cada vez mais rápido progresso evolutivo. Então, Bendito seja o final destes tempos e todas as suas acelerações! Que surjam cada vez mais crianças índigo, cristal e sucedâneas que nos mostrem e provem com absoluta traquilidade as finalidades do existir. Que esses “veneráveis e sábios” seres ainda infantis, esfreguem na nossa cara “normal” as “verdades Divinas”. Bem-vindos sejam todos esses amigos das estrelas que nos visitam com mais frequência e intensidade de hora em diante... Aleluia.
Para nós que labutamos no eterno aprendizado na seara espírita essa turma de novas crianças nos trouxe muitas dúvidas e alguns problemas de ordem funcional. Vejamos: Há idade cronológica para manifestações espirituais? Idade certa para aplicar passes? Hora de trabalhar em prol do próximo? Participar das entrevistas, para aconselhar segundo o Evangelho de Jesus na Casa Espírita? Quem pode garantir que, apenas a partir de tal idade um índigo ou um cristal possa aplicar passes ou aconselhar alguém? Quem se atreve a responder? Tudo isso, é bom ou ruim? Amigos, num simples parágrafo; melhor ainda; numa simples palavra é possível resumir o incrível aumento da mediunidade infantil que sempre existiu: evolução. Apenas o inexorável progresso. Que dentre muitas outras coisas, esses fatos nos levem a analisarmos nossos conceitos sobre mediunidade. Revisemos tudo. Critiquemo-nos Desconfiemos de nós mesmos, pois o que é o tempo na quarta e nas outras dimensões? Qual o papel que represento como médium? Um espírito com a tarefa de apagar a luz pode vestir-se de bonzinho e encher a cabeça das pessoas com frases e colocações melodiosas por séculos. Que interesses nos movem verdadeiramente nas nossas tarefas?
mediunidade infantil é um tema que instigou e ainda instiga alguns pesquisadores espiritualistas. Allan Kardec se preocupou em abordar o tema em O Livro dos Médiuns. CAPÍTULO XVIII –
6ª Haverá inconveniente em desenvolver-se a mediunidade nas crianças?
"Certamente e sustento mesmo que é muito perigoso, pois que esses organismos débeis e delicados sofreriam por essa forma grandes abalos, e as respectivas imaginações excessiva sobreexcitação. Assim, os pais prudentes devem afastá-las dessas idéias, ou, quando nada, não lhes falar do assunto, senão do ponto de vista das conseqüências morais."
7ª Há, no entanto, crianças que são médiuns naturalmente, quer de efeitos físicos, quer de escrita e de visões. Apresenta isto o mesmo inconveniente?
"Não; quando numa criança a faculdade se mostra espontânea, é que está na sua natureza e que a sua constituição se presta a isso O mesmo não acontece, quando é provocada e sobreexcitada. Nota que a criança, que tem visões, geralmente não se impressiona com estas, que lhe parecem coisa naturalíssima, a que dá muito pouca atenção e quase sempre esquece. Mais tarde, o fato lhe volta à memória e ela o explica facilmente, se conhece o Espiritismo."
8ª Em que idade se pode ocupar, sem inconvenientes, de mediunidade?
"Não há idade precisa, tudo dependendo inteiramente do desenvolvimento físico e, ainda mais, do desenvolvimento moral. Há crianças de doze anos a quem tal coisa afetará menos do que a algumas pessoas já feitas. Falo da mediunidade, em geral; porém, a de efeitos físicos é mais fatigante para o corpo; a da escrita tem outro inconveniente, derivado da inexperiência da criança, dado o caso de ela querer entregar-se a sós ao exercício da sua faculdade e fazer disso um brinquedo."
- Temos relatos de médiuns famosos, como o nosso querido Chico Xavier, que desde os 5 anos de idade conversava com sua mãe, desencarnada, que o socorria quando sua madrinha lhe infligia maus tratos. A consagrada médium Yvonne Pereira manifestou sua mediunidade ainda criança, e aos quatro anos já falava com espíritos. Divaldo Pereira Franco, médium e palestrante espírita, declara ver espíritos desde criança, e que, aos quatro anos de idade viu a avó desencarnada, Dona Maria Senhorinha.
- Temos relatos de médiuns famosos, como o nosso querido Chico Xavier, que desde os 5 anos de idade conversava com sua mãe, desencarnada, que o socorria quando sua madrinha lhe infligia maus tratos. A consagrada médium Yvonne Pereira manifestou sua mediunidade ainda criança, e aos quatro anos já falava com espíritos. Divaldo Pereira Franco, médium e palestrante espírita, declara ver espíritos desde criança, e que, aos quatro anos de idade viu a avó desencarnada, Dona Maria Senhorinha.
A mediunidade, ao contrário do que muitos pensam, não é um dom sobrenatural. É uma faculdade que nos permite entrar em contato com os espíritos e com o mundo espiritual. Toda pessoa a possui, em maior ou menor grau, manifestando-a, muitas vezes, sem se dar conta. Mas, no campo de estudos do fenômeno mediúnico, designamos como médiuns aqueles que apresentam sua mediunidade de forma ostensiva, passível de ser analisada e até mesmo comprovada. Ser médium, neste sentido, não significa ser privilegiado ou mais evoluído, afinal, essa faculdade independe das condições morais do indivíduo. Sendo assim, frequentemente encontramos pessoas de moral duvidosa dotadas de expressiva capacidade mediúnica, enquanto outras, de conduta irrepreensível, mesmo sendo bastante influenciadas pelos espíritos mais elevados, são incapazes de produzir o menor fenômeno de efeito físico.
Com relação à reencarnação, O Livro dos Espíritos nos explica que a união da alma com o corpo começa na concepção, mas não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o espírito designado para habitar tal corpo a ele se liga por um laço fluídico, que vai se fortalecendo cada vez mais, até que a criança nasça. Ainda em O Livro dos Espíritos, na questão 351, foi perguntado se no intervalo entre a concepção e o nascimento o espírito gozaria de todas as suas faculdades. Os espíritos respondem: “Mais ou menos, de acordo com a época, porque ele não está ainda encarnado, mas vinculado. Desde o instante da concepção, a perturbação começa a se assenhorear do Espírito, advertindo-o de que é chegado o momento de tomar uma nova existência; essa perturbação vai crescendo até o nascimento. Nesse intervalo, seu estado é pouco próximo ao de um Espírito encarnado durante o sono do corpo. À medida que o momento do nascimento se aproxima, suas idéias se apagam, assim como a lembrança do passado da qual não tem mais consciência, como homem, uma vez entrando na vida; mas essa lembrança lhe volta pouco a pouco à memória, no seu estado de Espírito”. Uma vez reencarnado, o espírito não recobra imediatamente suas faculdades. Estas se desenvolvem gradativamente, de acordo com o desenvolvimento dos órgãos. O espírito age de acordo com o instrumento (o corpo), com a ajuda do qual pode se manifestar.
A mediunidade é a faculdade que tem um indivíduo de se comunicar com o mundo físico e o mundo espiritual. Devemos encarar a mediunidade como uma benção que Deus nos dá, pois é uma oportunidade de trabalho na Seara do Bem, onde iremos resgatar débitos do passado. Possuir sensibilidade mediúnica não implica em ser privilegiado ou mais evoluído, afinal, essa faculdade independe das condições morais do indivíduo. Sendo assim, frequentemente, se encontra pessoas de moral duvidosa dotadas de expressiva capacidade mediúnica, enquanto outras, de conduta irrepreensível e dedicadas a Deus, são incapazes de produzir o menor fenômeno.
A mediunidade infantil é um tema que instigou e ainda instiga alguns pesquisadores espiritualistas. Até mesmo Allan Kardec se preocupou em abordar o tema em O Livro dos Médiuns. Recentemente, a mídia brasileira explorou bastante este assunto. A Rede Globo de Televisão exibiu, em horário nobre, a novela Páginas da Vida, onde os personagens mirins, Clara e Francisco, viam e até conversavam com a mãe desencarnada. O cinema também soube explorar muito bem este tema por meio da película O Sexto Sentido, onde o garoto de 8 anos, Cole Sear, interpretado pelo ator Haley Joel Osment, é um médium que vê, constantemente, “pessoas mortas” que lhe procuram em busca de ajuda para solucionar assuntos mal resolvidos, pendências que lhes afligem o coração.
Mas as estórias de crianças médiuns não ficam apenas na ficção. Temos relatos de médiuns famosos, como o nosso querido Chico Xavier, que desde os 5 anos de idade conversava com sua mãe, desencarnada, que o socorria quando sua madrinha lhe infligia maus tratos. A consagrada médium Yvonne Pereira manifestou sua mediunidade ainda criança, e aos quatro anos já falava com espíritos. Divaldo Pereira Franco, médium e palestrante espírita, declara ver espíritos desde criança, e que, aos quatro anos de idade viu a avó desencarnada, Dona Maria Senhorinha. Inclusive, Divaldo Franco tinha como companheiro na infância um indiozinho de nome Jaguaruçu. Conforme sua declaração “Jaguaruçu me apareceu quando eu contava cinco anos e se apresentava com a mesma idade que eu. À medida que eu crescia, ele também. Brincávamos, corríamos e conversávamos muito, a ponto de os meus familiares ficarem estranhando eu conversar, sorrir e correr sozinho. Eu lhes falava, mas só minha mãe acreditava. Quando eu completei doze anos, ele me disse que iria preparar-se para reencarnar, o que me causou uma grande dor e um susto, por identificar que ele não era uma criança física. Posteriormente, quando eu comecei a exercer a mediunidade com a consciência doutrinária, ele se comunicou várias vezes em nossas reuniões até 1949, quando anunciou que iria reencarnar. Eu o reencontrei na sua nova jornada e nos identificamos muito. Ele viveu 38 anos e já desencarnou, continuando a aparecer-me, porém, agora com as características da existência recentemente encerrada”.
Não podemos esquecer de ressaltar as irmãs Fox: Kate, então com onze anos e Margareth, com catorze. Elas deram uma contribuição memorável aos estudos do mundo espiritual, a partir do momento que passaram a ouvir sons semelhantes a arranhões nas paredes, assoalhos e móveis em sua casa, no vilarejo de Hydesville, Estado de New York. A partir daí, Kate, em sua astúcia de criança, desafiou o mundo invisível se comunicando com os espíritos por meio de estalos de dedos, no qual a resposta foi imediata. A cada estalo, um golpe era ouvido a seguir. Assim, estabelecia a “telegrafia espiritual”, acontecimento histórico ocorrido na noite de 31 de março de 1848.
Em janeiro de 2007, a revista IstoÉ fez uma matéria de capa intitulada Mediunidade Infantil – Crianças que falam com espíritos. Nesta matéria, pudemos ler como a Ciência vê estes fenômenos. A psicanalista Ana Maria Sigal, coordenadora do grupo de trabalho em psicanálise com crianças, do Instituto Sedes Sapientiae, tem a seguinte visão: "Há momentos em que a ilusão predomina e a criança transforma em real o que é apenas o seu desejo inconsciente. Ao brincar com um amigo imaginário, ela nega a solidão e cria um espaço no qual é dona e senhora. Já falar com parentes falecidos é uma forma de negar uma realidade dolorosa e se sentir onipotente, capaz de reverter a morte". Esta opinião não é unânime na medicina, pois como sabemos há médicos adeptos ao Espiritismo, tendo uma visão mais ampla e cuidando, também, do lado espiritual do paciente.
Mas, até que idade uma criança poderia apresentar a mediunidade de forma espontânea e ostensiva? Richard Simonetti, conceituado escritor e palestrante espírita, explica que “até os sete anos, antes que complete o processo reencarnatório, o espírito conserva algumas percepções espirituais e pode ter experiências de contato com o Além, sem que seja propriamente um médium. Essa sensibilidade tende a desaparecer e vai ressurgir na adolescência, se ela realmente tiver mediunidade”.
E como saber se a criança é realmente médium ou se o que ela narra é fruto de sua imaginação? Simonetti esclarece que “em princípio, é difícil definir. O melhor é não interferir, tratando com naturalidade a criança. A tendência é o fenômeno desaparecer, quer porque a criança se desinteressou em relação ao amigo imaginário, quer por que perdeu o contato com ele, a partir da consolidação reencarnatória”.
Não é sempre que uma criança médium tem visão de coisas boas, como um ente querido ou um amigo espiritual. Temos casos em que a visão é de antigos desafetos de vidas passadas, que procuram prejudicá-la em busca de vingança.
Quando a criança não é compreendida pelos pais, sendo considerada como louca, perturbada ou vítima do demônio, a situação pode se complicar, trazendo como agravante profundos desequilíbrios psicológicos e emocionais. Vale ressaltar que muitas crianças só voltam a ter uma “vida normal” quando passam a freqüentar um centro espírita, recebendo os benefícios dos passes, das palestras e do culto do evangelho no lar.
A mediunidade, em certos casos, pode ser provocada, o que não é aconselhável de maneira alguma no caso das crianças. Agnes Henriques, autora do livro Mediunidade em Crianças, escreveu em sua obra que em determinada época de sua infância participou da brincadeira do copo. Esta brincadeira tem as letras do alfabeto em pedacinhos de papel, um copo no centro, e por meio de invocações a espíritos aguarda-se que alguma entidade responda as indagações, enquanto um dos participantes permanece com a mão imposta em cima do copo que circula pelas letras. Ela conta: “Quando pequena, presenciei através de uma sessão dessas a descoberta de um assassinato. Em mim já se apresentavam indícios de faculdades mediúnicas. Eu ouvia vozes, via algumas entidades, chegava a responder quando me chamavam nominalmente. Minha mãe, sempre nessas horas, me incentivava a orar. Muitas vezes orava comigo e eu saía tranqüila sabendo que era um acontecimento normal. Eu já havia sido alertada por ela da seriedade que deveríamos estar revestidos quando no trato com os espíritos, e sempre me afastava dos meus amigos quando eles resolviam brincar com o famoso copo”.
Eu tinha uma vizinha que sempre reclamava que dormia mal, pois sua filha de 3 anos, chorava a noite toda, parecia ver algo que a assustava muito. Depois de algum tempo, convidei-a a levar sua filha no centro espírita que freqüentava. Naquela ocasião, quando a menina ia entrar na cabine de passes, ela gritava e segurava no portal com muita força. O pavor era visível em seu rosto. Toda semana ela levava a filha neste centro e até o terceiro passe a menina agia do mesmo jeito. A partir da quarta vez ela foi ficando mais amistosa, e daí por diante não mostrou mais resistência ao tratamento, passando a dormir bem a noite toda.
Em uma entrevista pelo Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo, quando foi perguntado sobre o procedimento adequado diante de uma criança que vê constantemente determinada entidade e que se sente mal toda vez que recebe o passe, Agnes Henriques respondeu que “Normalmente nesses casos, a energização pelo passe, a água fluída e a oração são poderosos instrumentos de que se vale a espiritualidade na solução do problema (...) Os pais devem mostrar-se aptos a efetuar mudanças na conduta diária em seu recinto doméstico. Tudo que for para elevação do padrão vibracional deve ser cultivado, ao mesmo tempo em que se esforcem para afastar toda conduta que levar ao contrário (...) Se o pequenino demonstrar medo, é bom que os pais o acompanhem nas sessões necessárias ao tratamento espiritual, até que ele se acostume e encare com naturalidade tal fato. O ambiente da cabine de passes, ou locais destinados para tal, apesar de serem locais simples, destituídos de muita decoração, pode ser intimidante para uma criança que já deve estar assustada com os fatos que porventura estiverem lhe acontecendo. Normalmente, logo elas se acostumam, desde que os pais estejam tranqüilos e passem para elas essa tranqüilidade”.
Vale ressaltar que o apoio familiar é de vital importância para que a criança consiga superar esta primeira fase da infância, quando poderá, na fase seguinte (dos 8 aos 12 anos), ter o conhecimento doutrinário e esclarecedor, caso a família venha a freqüentar um centro espírita que lhe proporcione este estudo, desenvolvendo assim, futuramente e com segurança, a mediunidade que porventura continue a se manifestar.
A falta de preparo de alguns pedagogos em lidar com a mediunidade faz com que as crianças não recebam a devida atenção que merecem. Infelizmente, ignorar o problema ou fingir que ele não existe é a saída mais prática para os educadores e a família. A escritora e ilustradora de livros infantis, Rita Foelker, que também psicografa obras mediúnicas, esclarece que: “A criança, como espírito encarnado, é naturalmente médium, sujeita a influências sobre seu humor e seu comportamento. Se os educadores aprendessem a lidar com essa realidade, muita coisa seria diferente, não só na sala de aula, como nas reuniões de pais e no encaminhamento de situações que, atualmente, dão trabalho e deixam os professores sem saber o que fazer. Algum dia será assim, mas quem começa a levar a realidade espiritual em conta tem visão de futuro e está alguns passos à frente”.
Vários são os cuidados que se deve ter quando os pais notarem a mediunidade na criança, mas um é primordial e vale a pena repetir: jamais estimular a criança a desenvolver a mediunidade. Outras precauções também são importantes: não valorizar excessivamente o fenômeno; não ridicularizar a criança, pois pode deixá-la nervosa, provocando o seu afastamento e causando outros problemas; não demonstrar medo, o que irá deixar a criança insegura; e desacreditar simplesmente, sem apurar os fatos, pode deixá-la se sentindo mentirosa.
O correto é prestar bem atenção nestas mudanças de comportamento da criança, analisando se suas visões são reais ou fazem parte de um mundo de fantasias, influenciadas por programas de televisão ou por necessitarem de afeto e atenção. A terapêutica espírita é muito eficaz nestes casos, e quando os pais não conhecem o assunto, o centro espírita tem pessoas capacitadas para a devida orientação e encaminhamento ao tratamento
A mediunidade, para ser estimulada, não necessita de uma idade precisa. Tudo depende inteiramente do desenvolvimento físico e, ainda mais, do desenvolvimento moral, mas sabemos que para tudo na vida há o momento certo. Para finalizar, aconselho a todos os que desejam um aprofundamento maior no assunto, o estudo de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec.
Texto original publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição nº 48, ano 2007
Enquanto a terra está deixando de ser um planeta de expiação e passando a ser um planeta de evolução, vai havendo em todos os aspectos mudanças paralelas e distribuídas em todos os sentidos. Assim, os novos habitantes da terra já estão nascendo com preparos e dispositivos mentais e orgânicos apropriados para os contatos com espíritos e seres de outros mundos semelhantes à terra.
Crianças nossas que, na verdade são mais amadurecidos quando se fala de espíritos, vêm de berço não com um estigma mediúnico, mas com mediunidade aflorada e trabalhada, de modo que, devido à proximidade com o assunto e as mentes já virem mais preparadas, tratam desse intercâmbio espiritual sem sofismas nem reservas. Aqueles que já estão vivendo essas experiências em suas casas, não devem em hipótese alguma mistificar os acontecimentos, mas de outro lado não podem aniquilar a mente mediúnica da criança, uma vez que são desígnios naturais e devem ser respeitados e tratados com normalidade. De frente com esses casos, não atropelem a educação deste ente e nem façam apelações infantis, como é comum com esse tipo de coisa. Gestos superficiais e conceitos de inteligência barata e artificial minam esses acontecimentos, conquanto não se despegam das coisas materiais e banais, certas famílias tratam como loucos esses filhos ou deturpam de generalizações a mediunidade da criança, dando a entender que são amigos imaginários os espíritos vistos pelo menor.
É fácil distinguir uma coisa da outra e a família, indelevelmente, terá as provas dessa missiva espiritual, pois laborações diárias se apresentarão constantemente para deflagrar a mediunidade dessa pessoa e seus fins.
Ler muito e atentar para o juízo de reflexão, são a s formas que auxiliarão os casais e famílias envolvidas na questão a viverem essas experiências que, em menos de dez anos, serão uma proporção de quarenta por cento dos nascidos. O que também pode confundir quem não está muito por dentro do tema é achar que a criança é médium só porque teve um episódio em que viu, ou ouviu um espírito. “Nem sempre a visão de espíritos pelas crianças caracteriza mediunidade. Somente com o tempo se pode discernir, pois o fenômeno pode ser passageiro. Pode ser aquela questão relacionada à ligação do espírito com o corpo.
Quando não é mediunidade, essas visões desaparecem entre 6 e 8 anos de idade. Como, por exemplo, os amiguinhos imaginários, que costumam desaparecer por volta dessa idade”, esclarece Sônia.
Alguns indícios de mediunidade:
Ela conta ainda que um sinal de mediunidade é quando a criança começa a relatar visões e conversas com os espíritos. “Se essas manifestações ganham caráter mais constante, bem ostensivo e persistem até a pré-adolescência e juventude, tudo indica mediunidade. Logo, uma visão que ocorreu apenas uma vez, por exemplo, não é considerada indício”, conclui ela.
Ø O que fazer quando a criança é médium?
- Os pais devem observar cuidadosamente o comportamento da criança para ver se elas não estão influenciadas por algo que viram na TV ou em filmes.
- Pode ser também que elas estejam adotando tais posturas apenas para chamar a atenção. É importante discernir e checar tudo isso na hora de avaliar se a criança está realmente vendo espíritos.
- Os pais jamais devem estimular as crianças a desenvolver mediunidade.
- Se a criança tiver idade suficiente para compreender o que está acontecendo, os pais devem explicar a ela a situação, procurando não fazer disso um fenômeno extraordinário que gere medo ou desconforto. “Se os pais não se acharem em condições de conversar com a criança (por desconhecimento do assunto), podem recorrer a um centro espírita, em que as pessoas mais experientes poderão orientá-los sobre a forma abordar o assunto com a criança”, aconselha Sônia.
Ø O que os pais devem evitar?
- Negação pura e simples, pois a criança pode se sentir acusada de ser mentirosa e desenvolver outros problemas.
- Valorização excessiva do fenômeno.
- Demonstrar medo, pois só deixará a criança mais nervosa e insegura. “Além de que, não se deve temer os espíritos”, completa Sônia.
- Criar expectativas. “É uma imprudência. Os pais devem agir com a máxima naturalidade e ouvir a criança quando ela falar espontaneamente do assunto, sem criticá-la ou ridicularizá-la, sem se mostrar assustados, nervosos, inquietos ou vaidosos e orgulhosos diante do fenômeno que acontece com o filho”, orienta Sônia.
Casos conhecidos e comprovados de mediunidade em crianças*
CHICO XAVIER (1910-2002)
– Um dos mais conhecidos e respeitados médiuns do mundo, Chico via o espírito da mãe morta e conversava com ela desde os 5 anos de idade. Em 1922, no centenário da Independência do Brasil, ele tinha 12 anos e ganhou menção honrosa quando escreveu uma bela redação sobre o Brasil. Na ocasião, afirmou que um espírito havia lhe ditado o texto.
Os amigos duvidaram e acharam que ele tinha copiado a redação de um livro. (...) As visões de Chico fizeram com que ele fosse obrigado pelo pai a freqüentar a Igreja Católica e ele via hóstias brilhando de luz, pessoas mortas sorrindo e carregando rosas. Sebastião Scarzello - padre de Pedro Leopoldo (MG) - nunca duvidou, mas aconselhava Chico a orar mais para afastar aquelas visões.”
DIVALDO PEREIRA FRANCO
- Médium baiano, de 79 anos de idade, Divaldo é hoje o mais conhecido palestrante espírita do mundo, com milhares de palestras em mais de 80 países e mais de 150 livros psicografados. Ele declara publicamente que vê os espíritos desde criança. Aos 4 anos de idade, viu o espírito de sua avó, Maria Senhorinha, e a descreveu para sua mãe, gerando muito espanto na família católica.
JOSÉ RAUL TEIXEIRA
- Médium e conferencista espírita de Niterói - RJ, professor de Física da UFF (Universidade Federal Fluminense) e Doutor em Educação, José Raul afirma que via os espíritos desde criança e, muitas vezes, conversava com eles.
Em uma ocasião, ao ver o espírito de um amigo, quase se atirou nos braços dele. Mas a mãe - que também era médium - impediu que o filho se machucasse, pois notou que ele ia em direção ao espírito e o impediu de cair no vazio, quando se atirou nos braços do amigo invisível.
*Depoimentos cedidos pela FEB (Federação Espírita Brasileira)
Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/o-livro-dos-mediuns/mediunidade-infantil-18068/?PHPSESSID=501c33bb1085a963fd63752d18392e72#ixzz1TFB1Q9dF
O primeiro ciclo:
- Vai de zero aos 12 anos de idade, período no qual as crianças possuem a mediunidade à flor da pele, por assim dizer, mas com o resguardo da influência benéfica e controladora dos espíritos protetores, chamados por algumas religiões de “anjos da guarda”.
Nessa fase infantil, as manifestações mediúnicas são mais de caráter anímico. A criança projeta sua alma nas coisas e nos seres que a rodeiam, recebe as intuições orientadoras de seus protetores, às vezes observa e denuncia a presença de espíritos e, não raro, transmite avisos e recados destes aos familiares de maneira positiva e indireta. Quando passam dos sete ou oito anos, as crianças se integram melhor ao condicionamento da vida terrena, desligando-se progressivamente das relações espirituais e dando mais importância às relações humanas.
No entanto, não é aconselhável o exercício da mediunidade em crianças, uma vez que o organismo delas, débil e em formação, pode sofrer fortes abalos. Além disso, a imaginação está em intensa atividade e pode haver uma grande excitação, sem contar que elas não possuem discernimento suficiente para lidar com os espíritos.
Às vezes, as manifestações mediúnicas apresentadas pela criança são causadas pelas perturbações existentes no ambiente do lar. Neste caso, o mais recomendável é atendê-la com passes, para eliminar as manifestações, e orientar o comportamento dos familiares adultos, para que as tensões espirituais não reflitam mais nela.
Agora, se a manifestação mediúnica for espontânea e equilibrada, deve-se aceitar os fenômenos com naturalidade, mas sem estimulá-los nem tampouco querer colocar a criança em um verdadeiro trabalho mediúnico. Convém que ela seja encaminhada para a evangelização e o conhecimento doutrinário adequados à sua idade, a fim de que, no futuro, ela esteja devidamente preparada para entender sua faculdade e empregá-la bem.
Manifestações mais intensas:
O segundo ciclo:
- Começa geralmente na adolescência, a partir de 12 ou 13 anos de idade. Como dissemos, no primeiro ciclo, só se deve intervir no processo mediúnico com preces e passes, para abrandar as excitações naturais da criança. Já na adolescência, o corpo amadureceu o suficiente para que as manifestações mediúnicas se tornem mais intensas e positivas. Então, é tempo de encaminhá-la com informações mais precisas sobre a questão da mediunidade.
Diante disso, não se deve tentar o desenvolvimento da mediunidade em sessões. O passe, a prece e as reuniões de estudo doutrinário são os meios de auxiliar o processo sem forçá-lo, dando ao adolescente a orientação necessária. A adolescência é a hora das atividades lúdicas, dos jogos e esportes, do estudo e aquisição dos conhecimentos em geral, de uma integração mais completa na realidade terrena. Portanto, não se deve forçar os adolescentes, mas estimulá-los no tocante aos ensinamentos espirituais, abrindo suas mentes para o contato mais profundo e constante com a vida no mundo. Os exemplos dos familiares influem mais em suas opções do que os ensinamentos e as exortações orais.
O terceiro ciclo:
- Ocorre geralmente na passagem da adolescência para a juventude, entre 18 e 25 anos de idade, tempo dos estudos sérios. No entanto, se a mediunidade não se definiu devidamente até esta fase, não devem haver preocupações, uma vez que existem processos nos quais sua verdadeira eclosão leva até cerca de 30 anos para ocorrer.